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São Paulo,04/04/2026

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Aliados de Flávio defendem adiar apresentação de propostas de governo, após alta nas pesquisas

jota.info
Aliados de Flávio defendem adiar apresentação de propostas de governo, após alta nas pesquisas

O viés de alta deu algum conforto à pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto. Até há poucas semanas, aliados

defendiam a apresentação das diretrizes de um plano de governo, com

propostas sobre política fiscal, por exemplo, ou segurança pública. Agora o

discurso mudou.


Uma ala do entorno do senador defende que ele adie a apresentação das

propostas. A avaliação é de que não precisa ter pressa. A ideia inicial era que

as diretrizes servissem como espécie de carta de apresentação do candidato

ou carta de compromisso, algo que pudesse ajudar, inclusive, a atrair um

eventual ministro da Fazenda. Mas há um entendimento de que se apresentar

neste momento pode criar um teto de vidro desnecessário.


As últimas pesquisas consolidaram Flávio como candidato, antecipando algo

que adversários – e até parte dos aliados – acreditavam que só ocorreria mais

adiante. Ele já aparece empatado com Lula em alguns levantamentos, num

cenário de segundo turno. A leitura na pré-campanha é que a rejeição tende a

cair, porque o eleitorado mais de centro vai diferenciá-lo do pai – este sim com

grande rejeição.


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Para não estragar a boa notícia das pesquisas, a ideia é reduzir a exposição

para que ele não amplie a rejeição nem perca votos. Este é um efeito possível

da publicização de um programa econômico liberal – apesar de ter boa

ressonância na Faria Lima, não traz votos. Ao contrário do pai, que se expunha

muito em movimentos políticos mal calculados, cada gesto, publicação e

discurso de Flávio é discutido com assessores e aliados mais próximos.


A prioridade, neste momento, é a montagem de chapa e definição de

palanques nos estados. Se ele apresentar as propostas no fim do mês, é mais

tempo de teto de vidro para adversários criarem e organizarem discursos

críticos às propostas.


Um exemplo do que eles querem evitar foi o efeito da entrevista do

coordenador de campanha Rogério Marinho (PL-RN) à Folha de S.Paulo, na

qual disse querer revisitar as reformas da Previdência e trabalhista. Nas redes

sociais, adversários exploraram as falas como um compromisso com nova

reforma e disseram que é um ataque aos trabalhadores.


Munição para adversários


Outro ponto que o entorno de Flávio busca evitar a todo custo é uma nova crise

entre Estados Unidos e Brasil. Na avaliação de auxiliares do pré-candidato,

essa é uma armadilha criada pelo petismo para retomar o discurso de

soberania – algo que ajudou Lula a retomar sua popularidade no ano passado.


O presidente anunciou, na sexta-feira (13/3), que tirou o visto e proibiu a

entrada no país de Daren Beattie, conselheiro do presidente Donald Trump. Lula

disse que devolveria a autorização, quando os Estados Unidos autorizassem a

liberação do visto do ministro Alexandre Padilha, da Saúde.


Beattie viria ao Brasil se encontrar com autoridades brasileiras e participar de

um fórum de minerais críticos em São Paulo. Ele também pediu permissão ao

Supremo Tribunal Federal (STF) para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na

prisão. Inicialmente, foi autorizada a visita por Alexandre de Moraes, depois

revogada após fala do Itamaraty.


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O chanceler Mauro Vieira classificou o encontro como “indevida ingerência nos

assuntos internos do Estado brasileiro”.


Após a decisão de Moraes, uma parte dos bolsonaristas começou a defender a

retomada de sanções contra o magistrado e o empresário Paulo Figueiredo

falou sobre essa possibilidade nas redes sociais. No passado, ele e Eduardo

foram os responsáveis por articular junto às autoridades americanas sanções

contra produtos e autoridades brasileiras.


O movimento, contudo, levou a um efeito rebote na política nacional. Não

apenas o Congresso não aprovou a anistia, como pleiteava Eduardo, como Lula

conseguiu articular um discurso enfático contra interferência externa e em

defesa da soberania brasileira.


Para eles, esta foi uma emboscada desenhada por aliados do petista, num

momento de preocupação com as pesquisas. Por isso, houve um movimento

no bolsonarismo de colocar água na fervura para evitar que se esticasse a

corda, ocasionando novas sanções. Flávio quer se manter fora de polêmicas

daquelas que não dão, apenas tiram votos.




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