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São Paulo,11/06/2026

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Lula chega à Copa em vantagem, mas jogo ‘só acaba quando termina’

jota.info
Lula chega à Copa em vantagem, mas jogo ‘só acaba quando termina’

A Copa do Mundo começa nesta quinta-feira (11/6) em um momento especialmente favorável para o presidente Lula (PT). Depois de mais de um longo período correndo atrás da bola da opinião pública, o presidente parece retomar o controle do jogo eleitoral. A pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostra aprovação de 47% e desaprovação de 48%, próximo de um patamar necessário para lhe assegurar a vitória. O empate técnico representa uma mudança relevante de cenário.


A trajetória ajuda a explicar o otimismo crescente no Palácio do Planalto. Em abril, a diferença era de nove pontos percentuais: 43% aprovavam o governo e 52% desaprovavam. Em maio do ano passado, o placar era ainda mais desfavorável: 40% a 57%. Em pouco mais de um ano, Lula não apenas interrompeu a queda como parece estar começando a “gostar do jogo”.


Seu principal adversário, por outro lado, é quem agora está sob pressão. Os áudios envolvendo Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro produziram um estrago considerável. O episódio atingiu justamente uma das áreas em que o bolsonarismo costumava desfrutar de vantagem competitiva sobre o PT. O tema “corrupção”, sempre desconfortável para Lula, tornou-se espinhoso também para o rival.


“Tariflávio”


Como se isso não bastasse, a crise provocada pelo tarifaço anunciado por Donald Trump colocou Flávio novamente na defensiva. O problema não foi apenas o aumento das tarifas. Foi o fato de o Pix ter sido incluído entre as práticas investigadas sob a alegação de que prejudicariam interesses econômicos dos Estados Unidos.


A reação do bolsonarismo revelou o tamanho do incômodo. A pré-campanha de Flávio teve que produzir um jingle afirmando que “o Pix é do Bolsonaro”. Do outro lado,  o time Lula aproveitou a oportunidade para lançar o slogan “O Pix é do Brasil”. Sua equipe também preparou camisetas inspiradas no uniforme da Seleção, acompanhadas da frase “Lula joga pelo Brasil”.


No dia do anúncio do tarifaço 2.0, redes ligadas ao PT difundiram figurinhas inspiradas nos tradicionais álbuns da Panini, retratando Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas com a camisa dos Estados Unidos e apelidos pouco sutis: “Tariflávio” e “Tarifa de Freitas”. 


A estratégia não é casual. Ao longo da Copa, o PT pretende reforçar a associação entre patriotismo, soberania nacional e defesa dos interesses brasileiros, tentando colar na equipe adversária uma imagem de submissão a Donald Trump.


Essa disputa narrativa, até aqui, parece favorecer o governo. Segundo a Quaest, 46% concordam com a avaliação de Lula de que as tarifas representam uma retaliação ao Pix. Talvez mais impressionante seja outro indicador. Quando questionados sobre quem representa melhor o patriotismo e os interesses do Brasil, 47% apontam Lula, contra 37% que escolhem Flávio Bolsonaro.


É uma inversão significativa. Durante anos, símbolos nacionais foram um patrimônio quase exclusivo do bolsonarismo. Hoje, Lula disputa esse terreno em condições muito mais favoráveis.


De uma tacada só, Flávio viu duas de suas bandeiras mais valiosas sofrerem desgaste: o discurso anticorrupção e a identificação automática com o patriotismo. Restou à direita uma vantagem mais nítida na área da segurança pública, tema em que o governo ainda não encontrou uma narrativa capaz de convencer parcela expressiva do eleitorado.


Eleitor “vira-casaca”


Os reflexos aparecem com nitidez justamente onde a eleição será decidida: entre os independentes. Nesse grupo, Lula saltou de 26% das intenções de voto em abril para 37% em junho. Flávio percorreu o caminho inverso, caindo de 33% para 24%, sempre segundo a Quaest.


O dado é animador para o petista. E, paradoxalmente, também inspira cautela.


O eleitor independente é como o torcedor “vira-casaca”: costuma ser menos ideológico, menos fiel e muito mais sensível aos acontecimentos do momento. Está hoje com Lula, mas pode pular no colo de Flávio diante de uma crise econômica, de um escândalo político ou uma fala mal colocada.


Muito jogo pela frente


No campo lulista, a sensação é de que a partida está sob controle, embora ainda haja muito jogo pela frente.


Se a eleição fosse um jogo de futebol, seria possível dizer que Lula vence por 1 a 0 nos minutos finais do primeiro tempo. A vantagem existe. O adversário parece desorganizado. A torcida está mais animada do que no início da partida, quando o oponente jogava com desenvoltura. 


Mas o segundo tempo sequer começou.


As convenções partidárias de julho darão a largada formal para a fase decisiva da disputa. Em meados de agosto, a campanha ganhará as ruas, os programas eleitorais e os debates. É aí que o jogo realmente acelera.


E placares apertados costumam ser traiçoeiros.


O futebol brasileiro conhece bem essa lição. Em 2022, contra a Croácia, a Seleção vencia na prorrogação após o gol de Neymar. Parecia classificada. Bastava administrar os minutos finais. Mas o empate croata veio no último lance. Depois, os pênaltis e uma eliminação dolorosa.


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Na política, como no futebol, a diferença entre a confiança e “salto alto” costuma ser pequena. 


Lula chega ao período da Copa em vantagem no placar. Mas não pode entrar no clima de “já ganhou”. Como dizia o folclórico ex-presidente do Corinthians Vicente Matheus, “o jogo só acaba quando termina”.




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