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São Paulo,03/07/2026

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Enap estuda expandir CNU para carreiras estaduais em próxima edição do concurso

jota.info
Enap estuda expandir CNU para carreiras estaduais em próxima edição do concurso

O Concurso Nacional Unificado (CNU) pode ganhar uma versão mais ampla com alcance a algumas carreiras da esfera estadual na sua próxima edição. Segundo a presidente da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), Betânia Lemos, conversas sobre um novo modelo estão sendo feitas com o Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad). A discussão ainda é inicial, mas deve avançar no próximo ano, caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja reeleito. A proposta é começar por carreiras administrativas e de gestão comuns aos estados.


 “A gente está em conversas com o Consad para poder fazer um CNU de pelo menos algumas carreiras estaduais. Eles nos procuraram. A ideia é que o CNU se consolide como porta de entrada para o serviço público de forma geral”, disse em entrevista ao JOTA.


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À frente da instituição desde 2023, Betânia avalia que o CNU deve se consolidar como a principal porta de entrada para o serviço público, reproduzindo, para os concursos, lógica similar à que fez do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) o principal instrumento de acesso ao ensino superior no país. A partir da terceira edição do certame, previsto para 2027, a Enap assumirá integralmente a execução do concurso, conforme determinado em decreto presidencial do ano passado. O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) continuará responsável pela formulação da política pública, enquanto a escola responderá pela organização do certame, incluindo a logística e a elaboração das provas.


Às vésperas de completar 40 anos, a Enap vem adaptando a formação dos servidores às transformações da inteligência artificial e à digitalização do Estado. A escola foi criada em setembro de 1986 para formar a carreira de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG). De lá para cá, já foram mais de mil cursos ofertados com a expansão por meio da Escola Virtual de Governo (EVG), plataforma online com a possibilidade de formações assíncronas.


Nos últimos três anos, a escola estruturou uma política de capacitação em inteligência artificial dividida em níveis, que vai do uso cotidiano das ferramentas ao desenvolvimento de soluções baseadas em dados. Também lançou um Laboratório de Inovação e Inteligência Artificial e ampliou sua oferta de cursos na Escola Virtual de Governo (EVG), incluindo formações em automação de processos, IA para gestores e um MBA em Ciência de Dados e Inteligência Artificial.


Confira a entrevista com Betânia Lemos, presidente da Enap


A transformação digital está mudando o serviço público e o perfil do servidor. De que forma a Enap vem preparando os servidores para esse novo contexto?


A IA e os algoritmos estão mudando não só o setor público, estão mudando o mundo. Há 10 anos não existiam aplicativos de mensagem, de transporte ou programa de mapa. Hoje, você não consegue imaginar viver sem eles. A gente mudou também a forma como interage com as coisas e as pessoas, tudo está mudando e o setor público não pode ficar para trás. A partir do momento que você aprende e se acostuma a acessar um serviço de um jeito, você também quer que o governo te ofereça um serviço desse jeito. Você não quer mais ter que ir no guichê para marcar uma consulta médica ou para pedir sua aposentadoria. Você quer fazer aquele serviço todo online. Nós queremos que o governo nos entregue o serviço do mesmo jeito que estamos acostumados a consumir no setor privado. A relação com o governo tem que ser uma relação mais ágil como é também a relação na sociedade com as redes sociais. Tudo isso está combinado e interagindo.


Daí o governo digital, que é simplesmente fazer com que o governo seja o que o setor privado é, que ele caminhe e evolua junto com o setor privado e com a sociedade de uma forma geral. A Enap entra aqui na parte da formação de servidores. Desde que começou o hype da inteligência artificial começamos a acompanhar, a fazer seminários para tentar entender o que era aquilo e como podia mudar o mundo. Desde 2023, começamos a trazer especialistas, a tentar entender como isso estava evoluindo e preparamos um programa de formação para os servidores públicos, que dividimos em três níveis.



O primeiro nível é o do usuário, aquele servidor público que está ali na frente do computador e que pode usar essas ferramentas diversas de IA para facilitar o seu trabalho e ter mais produtividade. Esse é o nível de formação mais básico, de ensinar a usar o que existe, de mostrar o potencial para otimizar o trabalho. 


O segundo nível é para o servidor que precisa entender um pouquinho mais, que precisa entender como a IA pode ajudar na organização do trabalho da equipe como um todo ou que vai precisar contratar ferramentas de IA. Ele precisa ter um entendimento mais aprofundado, não basta só usar a ferramenta, tem que entender o que está ali por trás, as implicações, as vantagens, as desvantagens.


O terceiro nível é profundo. É para aquele servidor que vai trabalhar com o banco de dados, que vai aplicar e fazer o desenvolvimento da IA, que vai escrever os prompts, que vai estar ali fazendo a programação com as ferramentas existentes.


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Temos programas muito estruturados na nossa Escola Virtual de Governo, a EVG. Na nossa escola, oferecemos cursos assíncronos, todos com certificados e gratuitos. Envolvem IA para otimização de processos e automação inteligente no serviço público; IA para a otimização de processo e tomada de decisão de gestores, IA estratégica e visão de futuro da liderança no setor público… O segundo nível, mais intermediário, é para gestores e para quem contrata TIC [Tecnologia da Informação e Comunicação]. Temos, por exemplo, a jornada de estratégias de inteligência artificial para a transformação governamental. Para o terceiro nível, mais aprofundado, temos o MBA em Ciência de Dados e Inteligência Artificial. É uma especialização lato sensu, com um ano de formação, em que a pessoa aprende desde o básico de como organizar o banco de dados para aplicar a I.A. fazendo todas as análises, preparando essas ferramentas. De 2023 para cá, foram mais de 160 mil certificados emitidos para servidoras e servidores públicos em 150 ações relacionadas ao tema. São cursos, palestras, eventos, o MBA. 


Para além de formar o conhecimento, tentamos estruturar a discussão no serviço público para que a gente ajude o governo nessa transformação digital. Temos também o Laboratório de Inovação e Inteligência Artificial, que é um laboratório que ajuda o setor público a identificar o problema que pode ser resolvido com IA. Ajudamos também a procurar soluções de IA tanto internas, o próprio setor público desenvolvendo essas soluções, quanto a inovação aberta, que é chamar as GovTechs, as startups, para apresentar soluções. Nós fazemos esse matching e ajudamos o governo a contratar essas soluções. É um campo de ação muito amplo para que a gente prepare o governo para esse mundo.


Com a mudança desse perfil, quais passam a ser as competências prioritárias ao processo formativo dos servidores? 


Essa visão do servidor público que bate carimbo já foi abandonada há muitos anos no dia a dia do trabalho. Tem muitos anos que o carimbo não é mais usado – carimbo na expressão daquele trabalho ali, muito cotidiano, muito repetitivo. Esse trabalho, inclusive, vai ser todo substituído por IA, isso se ele ainda existir em algum órgão. 


O servidor público tem que redefinir suas competências. As competências da nossa era são muito específicas. Teve um período, no final do século passado, em que as pessoas precisavam muito de competências técnicas. Tinha que ser um bom engenheiro, saber tudo dos cálculos. Isso mudou. As novas tecnologias estão se desenvolvendo muito rápido. Temos mudança climática, uma série de desafios, mudança geopolítica, e as competências do serviço público têm que acompanhar essa velocidade. Elas se concentram, hoje, em competências de soft skills e não de hard skills. Ou seja, não é o engenheiro fazendo a conta – claro que isso ainda é preciso ter, porque senão a pessoa não pode exercer seu trabalho, o auditor tem que saber auditar número, mas é preciso de algo mais, só isso já não é suficiente como era antes.


Para definirmos as competências dos servidores e organizar a nossa formação, fizemos um estudo junto com a OCDE [Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico] que definiu as competências dos servidores e das lideranças do setor público para o século 21. Elas são quase todas relacionadas às soft skills ou à capacidade de articular as competências técnicas para a solução de problemas atuais. A gente organiza toda a nossa formação com base nesse levantamento. A gente tem, por exemplo, resolução de problema com base em dado. É uma competência necessária, saber olhar o dado e usá-lo como solução dos problemas. A partir de 23, quando eu cheguei à presidência, nós focamos exatamente nele para estruturar todos os nossos programas de formação.


A administração pública enfrenta dificuldades para atrair novos talentos num contexto global. Quanto que isso é uma dificuldade para o Brasil? Como o serviço público pode se tornar mais atraente em termos de propósito e de carreira?


Eu acho que essa é uma questão. Tivemos um processo muito grande nos anos anteriores de se falar mal de servidor público. Sempre na mídia estava-se falando mal de servidor, mal do governo e isso mudou um pouco o imaginário da população. Qualquer pai queria muito que o filho virasse servidor público. Toda pessoa sonhava em fazer um concurso e virar servidor público. No dia a dia, a gente vê que isso mudou. Eu sou servidora pública de carreira e quando eu entrei, era: “nossa, minha irmã, minha filha é servidora pública!”. Hoje, às vezes, escuto: “nossa, mas por que você está no setor público? Vai para privado, o que você está fazendo aí?”. Isso é um processo, houve um processo de se falar mal.



O setor público é muito atrativo, é um setor em que você movimenta o mundo. Uma ação sua atinge milhões de pessoas. Uma política pública, como, por exemplo, o Bolsa Família, melhora a vida de milhões de pessoas durante gerações. Um SUS com uma campanha de vacinação, um programa nacional de vacinação, evita a morte de milhões de pessoas. Só no setor público você tem essa oportunidade. Se você trabalha numa indústria farmacêutica e desenvolve um produto, ele vai ajudar algumas pessoas. No setor público, você ajuda milhões. O setor público tem esse engajamento por natureza de trabalho. É um trabalho muito recompensador, reconfortante para as pessoas. Quem trabalha vê o valor do seu trabalho quando vê a política sendo realizada. Você não consegue fazer isso em outro lugar. 


Acho muito importante essa revalorização do serviço público e é isso que o governo Lula vem fazendo desde 2023:  recolocando as pessoas que trabalham no setor público no lugar devido de quem presta serviço para a população, de quem dá suporte para a população. São pessoas que estão fazendo um trabalho que tem um fim para a sociedade como um todo e um impacto grande. É uma missão e os jovens precisam ver esse lado, porque há até pouco tempo só se mostrava o lado negativo, ruim, de demérito, quando, na realidade, o serviço público é o contrário, é onde as ideias fervilham, onde a gente cria políticas públicas, cria soluções inovadoras e resolve problemas de milhões de pessoas.


Vou dar um exemplo: o GovBR quando criou a assinatura digital. Antes de existir, você tinha que ir no cartório e pagar. Você gastava para sair da sua casa, gastava seu tempo e pagava para alguém falar que a sua assinatura era sua. O governo lança a assinatura digital dentro do GovBR e, agora, num clique você está com o documento assinado de graça sem ter saído da sua casa. Olha o impacto disso na vida de milhões de pessoas. Em qual outro setor de trabalho você conseguiria ter uma criação dessa? É esse tipo de coisa que faz quem trabalha no setor público ser motivado, apesar de todo o demérito. É essa parte que tem que ser mostrada para os jovens para eles verem que o serviço é muito recompensante. Não é só um salário no fim do mês. Tem um propósito, tem uma missão e isso é muito legal.


A Enap passará a assumir a gestão do CNU a partir da próxima edição do concurso. Na prática, o que muda em relação ao que já estava sendo feito? A Enap terá algum tipo de autonomia para aperfeiçoar o modelo e fazer mudanças?


A Enap, desde o CNU1, vem participando de toda a discussão junto com o MGI. No CNU1, o MGI fez tudo sozinho. No CNU2, nós já participamos assumindo toda a parte de logística. Um concurso desse tipo tem basicamente duas áreas muito fortes. Uma é a de logística, que cuida da impressão da prova, da aplicação da prova, de quais são as cidades, da segurança. Isso foi o que a gente assumiu no CNU2. Mas tem um outro eixo muito importante, que é o que faz o edital, conversa com os órgãos que vão participar, vê o requisito de cada cargo e constrói o modelo da prova, o que vai cair e como a prova deve ser feita. São dois blocos de trabalho.



No CNU2, a Enap já entrou no bloco de logística, porque se entendeu que a Enap seria o melhor locus para o concurso. No terceiro, a Enap assume 100% tudo do CNU. Ela vai ser a executora do programa e o MGI fica como gestor da política. O ministério define as diretrizes, define a norma e a gente vai executar essas duas grandes áreas. Para facilitar o entendimento, a Enap vai ser o que o Inep é para o Enem. O Inep executa todo o ENEM e o MEC é o gestor da política.


Num eventual governo Lula 4, podemos esperar um CNU3 já no início do mandato, ou seja, para o ano que vem?


Num governo Lula 4, com certeza. No primeiro ano? Espero que sim. A ver. Não há a confirmação, mas a gente espera que já no primeiro ano estejamos organizando. A política foi desenhada para ocorrer de dois em dois anos. Esse é o modelo que a gente pensou. Nos anos ímpares a gente faz as provas nacionais para que se possa ter uma previsibilidade de entrada de servidores no serviço público e não passarmos dez anos sem servidor, como aconteceu antes. É para ser uma coisa regular.


Nesses dois concursos, qual balanço você faz até aqui dos principais aprendizados e pontos de aperfeiçoamento?



O segundo ainda está em andamento, ainda vamos fazer esse balanço. Do primeiro para o segundo já houve muitas inovações, seja na forma de elaborar a prova, no edital, na parte de pessoas com deficiência ou pessoas negras, na parte de como a banca de heteroidentificação atua, nas normas. As melhorias que foram feitas do 1 para o 2 já foram sentidas em termos de menos processos judiciais, menos problemas. Acredito que para o 3 vai ser melhor ainda, porque quando a gente cria uma política inovadora, a gente vai aperfeiçoando ela em cada rodada. É isso que a gente tem feito e vai continuar fazendo.


Uma das novidades do ano passado foi a nova lei de cotas no serviço público. Como a Enap trata da diversidade em suas formações?



A Enap atua nesse campo de diversidade para incluir todos desde 2023. Essa é uma área de muito estudo aqui e de muita atenção. Temos dois programas estruturados e isso até ajudou e subsidiou a nova lei de cotas: O FIF, Formação e Iniciativas Feministas, e o FIAR, Formação e Iniciativas Antirracistas. Os dois têm uma interseção que são mulheres negras. Esses dois programas são estruturados com os mesmos pilares, que são três. Um é formar liderança de mulheres e pessoas negras, em especial mulheres negras. O outro é o letramento. É ensinar para homens, mulheres, pessoas brancas, pessoas negras e todos que quando a gente inclui pessoas, quando a gente promove a diversidade e a representatividade no setor público, a gente melhora a vida de todo mundo e não só do grupo incluído. Isso porque a gente qualifica melhor as políticas públicas e as ações, porque quando elas já são pensadas com pessoas que vêm com toda aquela bagagem da sua origem, a sua vivência e só quem vive sabe exatamente o que é. As políticas públicas ficam melhores e com isso melhora a vida de todo mundo. O terceiro eixo são os estudos e publicações para poder subsidiar as decisões e as políticas públicas tomadas.



Nesses três programas a gente já formou, só no FIF, quase 100 mil pessoas. A gente vem fazendo uma discussão que acaba transbordando para o concurso, para a inovação e para a lei de cotas e a aplicação da lei. Com a nova lei de cotas, a gente teve um resultado muito positivo no CNU2. O resultado da entrada de pessoas negras foi muito positivo.


A transversalidade de carreiras é uma das prioridades do MGI. O que muda na formação dessas carreiras?


A partir do momento que as carreiras transversais vão sendo criadas elas passam a ser carreiras prioritárias de atendimento aqui. Já estamos pensando em programas de formação para elas. Não muda no todo, porque a Enap oferece formação para todas as carreiras e todos os servidores, mas como ela atua em diversos ministérios, a gente vai ter uma formação mais ampla ofertada.



A gente tem aqui o Programa de Formação de Carreiras, que atende as carreiras do ciclo de gestão e agora vai incorporar algumas das carreiras transversais. Vamos criar também um programa para carreiras transversais mais técnicas que não estão relacionadas à gestão, mas que viraram transversais. Estamos começando a elaborar isso então não tenho muito o que te falar.


Do que a gente já fez, na formação inicial, por exemplo, dos ATPS [Analista Técnico de Políticas Sociais], que agora é uma carreira transversal que fica centrada no MGI, foi um MBA. Toda a formação que a gente fez presencial na Enap do Concurso Nacional Unificado 1 e 2 foi em formatos de especialização lato sensu, essa já é uma grande novidade para as carreiras. A gente preparou uma formação que era composta por um eixo inicial, de como funciona o Estado, qual é o papel do serviço público, qual é o ethos do serviço público. No CPNU 1, foram 1.300 pessoas tendo título de especialização aqui no ano passado. Esse ano, a gente teve uma segunda chamada, com mais 826 pessoas formadas. São mais de 2 mil pessoas com essa especialização. Agora no segundo semestre a gente vai formar mais 500 pessoas do CPNU2 das duas novas carreiras transversais que é a ATDS [Analista Técnico de Desenvolvimento Socioeconômico] e a ATJ [Analista Técnico de Justiça e Defesa].



Houve algum avanço na discussão sobre a possibilidade de o governo criar um concurso unificado para técnicos administrativos das universidades e institutos?



Essa conversa, se foi discutida, foi no MGI. A Enap ainda não participou dessa discussão, então não saberia falar. Mas, se ocorrer, com certeza, estaremos envolvidos para executar esse concurso com muita alegria.


 Qual a perspectiva da Enap com relação aos concursos públicos nos próximos anos? Caminhamos para um modelo mais centralizado pós-CNU?



Pensamos no futuro em consolidar cada vez mais o CNU. É uma política que deu muito certo. A gente conseguiu trazer pessoas do Brasil inteiro para Brasília. Antes, os concursos públicos tinham uma grande maioria de pessoas do Sudeste, agora a gente tem pessoas do Brasil inteiro melhorando a representatividade no serviço público. A ideia é continuar com os concursos, que eles sejam regulares, com anos fixos, sempre nos anos ímpares e cada vez agregando mais concursos no CNU, da forma como foi a trajetória do ENEM, que começou com algumas universidades e depois foram aderindo outras. A gente também acredita muito que esse é um modelo que faz sentido e vale a pena. Se tivermos oportunidade, vamos continuar fazendo CNU ano sim, ano não e com uma política consolidada.


A gente espera que o CNU seja a porta de entrada para o serviço público federal. Não só federal, mas também estadual. A gente já está em conversas com o Consad [Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração] para poder fazer um CNU de pelo menos algumas carreiras estaduais. Eles nos procuraram. A ideia é que o CNU se consolide como porta de entrada para o serviço público de forma geral. Vamos ver a evolução nos próximos anos.


E já há detalhes sobre como seria esse concurso ou alguma definição de quais carreiras devem entrar nele?


A ideia é contemplar carreiras comuns em todos os estados. Carreiras administrativas, em especial, ou de gestão, que tenham uma unificação de regulamento em cada estado, uma padronização, podem ser contempladas para que a gente possa fazer um concurso único e as pessoas escolham para quais estados irão. Fazer uma única prova para as vagas de cada estado, essa é a ideia inicialmente, mas está bem rudimentar. Estamos começando a conversar, mas a gente acha que isso vai avançar.


Esse concurso já aconteceria num eventual Lula 4?


Com certeza isso avançaria no Lula 4. Acredito que sim, aconteceria. As conversas já estão acontecendo, já tem base legal.


O que mais destaca do trabalho da Enap sob sua gestão?


Um ponto é a formação de servidores estaduais e municipais. A gente focou muito, até por uma determinação do presidente Lula, na oferta. A Enap começou em 1986 para formar uma carreira de serviço público federal, os EPPGGs. Depois foi crescendo e formando outras carreiras, mas atuava muito pouco com estados e municípios. Nós concentramos muitos esforços em atender estados e municípios, criamos programas específicos para servidores estaduais e municipais, porque as competências, os assuntos são diferentes dos federais. Criamos junto com as escolas de governo dos estados alguns programas de atendimento e voltamos nossas ofertas para eles.


O nosso MBA mais clássico aqui é o de gestão pública e a gente transformou ele em remoto. Abrimos um edital separado para servidor federal, estadual e municipal. Estadual e municipal não competem com servidores federais. Fizemos metade das vagas para um, metade para o outro. Com isso, a gente conseguiu trazer muitos servidores, propiciar aos servidores de estados e municípios uma formação sólida, uma formação gratuita, para que a gente tenha o serviço público nacional bem qualificado e não só o federal.


Essa foi a nossa missão. Na última seleção do MBA de Gestão Pública, eram 150 vagas para estados e municípios e 150 para o governo federal. A gente teve 2 mil servidores de estados e municípios inscritos. A gente faz uma seleção regional permitindo que todas as regiões possam estar representadas, todos os estados. Tivemos gente de todos os estados aqui na nossa última turma e foi muito rico em discussão. Entre esses vários outros programas, tem o Enap Aqui, em que a gente vai, junto com a escola de governo ou com a instituição local, dar curso presencial.  São várias ações, a gente atendeu muitos servidores estaduais e municipais. Hoje, eles se sentem bem-vindos na Enap, procuram a Enap e a gente fica muito feliz de estar promovendo também essa qualificação dos estados e municípios, porque afinal de contas é lá no território que a política acontece.




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