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São Paulo,22/09/2026

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Setembro Amarelo: o valor de se importar


Setembro Amarelo: o valor de se importar

Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos...” — nessa linda letra, nosso saudoso Beto Guedes descreve a magia da natureza que acontece em setembro no hemisfério sul e nos faz encher o peito de esperança e alegria depois do inverno que enfrentamos.


Mas setembro não representa apenas a chegada da primavera. O mês também se tornou mundialmente marcado por ações de conscientização sobre a importância de cuidar da vida e de falar sobre saúde emocional.


Talvez você tenha reparado que, desde o início deste mês, algumas linhas do Metrô e da CPTM reduzem a velocidade de circulação dos trens. Essa é uma das medidas adotadas para prevenção de acidentes e para lidar com um período que historicamente exige atenção redobrada à saúde mental.


O dia 10 de setembro é marcado mundialmente pela conscientização e prevenção do suicídio. No Brasil, a data integra as ações do Setembro Amarelo, movimento que busca ampliar o diálogo sobre saúde mental, prevenção e valorização da vida.


Ainda existe quem acredite que falar sobre suicídio pode incentivar o ato. É justamente o contrário quando o assunto é tratado com responsabilidade. Muitas vezes, o que falta a uma pessoa em sofrimento é exatamente aquilo que parece tão simples: alguém que escute, acolha e esteja disposto a conversar sem julgamentos.


Vivemos, muitas vezes, uma espécie de normalização do sofrimento. Na psicanálise, existe o conceito de “normopatia”, utilizado para descrever situações em que a pessoa se adapta excessivamente às normas e padrões, podendo perder o contato com aquilo que realmente sente e necessita.


A música “One More Light”, da banda Linkin Park, tornou-se especialmente simbólica após a morte de seu vocalista, Chester Bennington. A mensagem central da canção nos lembra de algo fundamental: cada vida importa. Em meio a bilhões de pessoas no mundo, a ausência de uma única pessoa faz diferença.


Somos resultado das nossas relações, dos nossos afetos e dos vínculos que construímos ao longo da vida.


Por isso, se você conhece alguém que vem dizendo coisas como “quero morrer”, “quero sumir” ou “a vida não tem mais sentido”, ou percebeu uma mudança brusca de comportamento, não ignore.


Antes de julgar, aproxime-se.


Acolha. Disponha-se a ouvir. Demonstre que aquela pessoa importa. E, sempre que necessário, incentive a busca por ajuda profissional.


No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia. Qualquer pessoa pode procurar o serviço para conversar e receber orientação em momentos de sofrimento emocional.


Precisamos compreender que se importar pode fazer toda a diferença para quem enfrenta dores emocionais, solidão, transtornos psicológicos, luto ou qualquer outra situação que torne a caminhada mais difícil.


Talvez seja justamente quando aprendermos a olhar verdadeiramente para o outro que estaremos dando um passo importante como sociedade.


Se importe você também.

Porque eu me importo.




Luci Gameiro é palestrante e consultora comportamental




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